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Quem tem útero didelfo pode engravidar naturalmente ou precisa de FIV?

Foto do escritor: SEMEAR fertilidade
SEMEAR fertilidade
há 14 minutos
3 min de leitura

Receber o diagnóstico de uma malformação congênita no aparelho reprodutor costuma despertar dúvidas e receios imediatos sobre o futuro reprodutivo. Entre essas variações anatômicas está o útero didelfo (popularmente conhecido como útero duplo), uma alteração congênita decorrente de uma falha na fusão dos ductos müllerianos durante o desenvolvimento embrionário da mulher, resultando na formação de duas cavidades uterinas distintas e, muitas vezes, dois colos de útero.


Diante desse laudo em ultrassonografias ou ressonâncias, a dúvida que mais ecoa no consultório é direta:


“Com útero didelfo, eu consigo engravidar naturalmente ou serei obrigada a fazer Fertilização in Vitro?”


A resposta da medicina reprodutiva é esclarecedora: o útero didelfo não impede, por si só, a gravidez pelas vias naturais.


Diagrama comparando útero normal e útero didelfo, com trompas e rótulos útero, colo do útero e vagina.

A concepção natural e o útero didelfo


Diferente de condições que afetam diretamente a produção de gametas ou o encontro celular, a alteração do útero didelfo é essencialmente anatômica. Cada uma das duas hemi-cavidades uterinas costuma possuir seu próprio endométrio funcional e estar conectada à sua respectiva tuba uterina e ovário.


Portanto, a gravidez espontânea é perfeitamente viável desde que:


  • Os ciclos ovulatórios sejam regulares e ocorra a liberação mensal de óvulos saudáveis;

  • Pelo menos uma das tubas uterinas esteja pérvia e saudável para captar o óvulo;

  • Os parâmetros do sêmen do parceiro estejam normais;

  • As relações sexuais ocorram no período fértil.


O espermatozoide é capaz de subir pela cavidade uterina correspondente, fecundar o óvulo na trompa e o embrião pode se implantar com sucesso no endométrio de um dos lados do útero.


Quando a Fertilização in Vitro (FIV) se faz necessária?


A presença isolada do útero didelfo não é uma indicação primária para FIV.

A reprodução assistida só passa a ser recomendada quando existem outros fatores de infertilidade concomitantes que impeçam ou dificultem a concepção natural, tais como:


  • Obstrução ou danos nas tubas uterinas (fator tubário bilateral);

  • Alterações significativas na concentração ou motilidade dos espermatozoides (fator masculino);

  • Idade materna avançada com baixa reserva ovariana;

  • Focos de endometriose severa associados;

  • Falhas repetidas de concepção após investigação clínica completa.


Quando a FIV é indicada para uma paciente com útero didelfo, a equipe médica realiza um planejamento minucioso para a etapa da transferência embrionária, avaliando por ultrassonografia 3D qual das duas cavidades apresenta melhor vascularização, espessura endometrial e facilidade de acesso pelo canal cervical para acomodar o embrião.


Atenção obstétrica: o risco de partos pré-termo

Embora alcançar a gestação seja plenamente possível, o principal ponto de atenção em mulheres com útero didelfo reside na sustentação da gravidez até o termo.

Como cada cavidade uterina é menor do que um útero convencional e possui uma distribuição muscular e vascular particular:


  • O espaço para a expansão do feto no terceiro trimestre torna-se mais restrito;

  • Há uma maior predisposição a apresentações fetais anômalas (como o bebê ficar sentado/pélvico);

  • Existe um risco aumentado de trabalho de parto prematuro (pré-termo) e de insuficiência istmocervical (abertura precoce do colo uterino).


Por essas razões, uma vez confirmada a gravidez — seja ela natural ou por FIV —, o acompanhamento pré-natal deve ser conduzido com o suporte de um obstetra experiente em gestações de alto risco. O monitoramento contínuo do comprimento do colo do útero por ultrassom transvaginal seriado, o uso preventivo de progesterona natural e, quando indicado, procedimentos como a cerclagem cervical garantem o suporte necessário para que a gestação evolua com segurança e tranquilidade.


Com o acompanhamento adequado, o útero didelfo deixa de ser um obstáculo paralisante e se torna apenas uma particularidade anatômica bem gerenciada ao longo do sonho da maternidade.


Diagrama anatômico do sistema reprodutor feminino em tons de rosa, com rótulos como útero, ovário, cérvix e vagina.

Resumo

O útero didelfo não impede a gravidez natural se a ovulação, as trompas e os parâmetros seminais estiverem normais. A Fertilização in Vitro (FIV) é indicada apenas na presença de outros fatores de infertilidade associados. Por apresentar maior risco de trabalho de parto prematuro devido ao espaço reduzido da cavidade, a gestação requer um acompanhamento pré-natal vigilante e especializado para garantir a segurança da mãe e do bebê.


Na SEMEAR fertilidade, cada decisão é guiada pela ciência e pelo cuidado individualizado, priorizando sempre a tranquilidade da paciente.


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