Planejamento Reprodutivo na Transição de Gênero
- SEMEAR fertilidade

- há 6 horas
- 2 min de leitura
A medicina reprodutiva evoluiu para garantir que a transição de gênero não signifique abrir mão do desejo de ter filhos biológicos. O ponto central é a preservação da fertilidade, que permite o congelamento de gametas (óvulos ou espermatozoides) para uso futuro em técnicas de reprodução assistida.

Transição de Homem Cis para Mulher Trans
Para mulheres trans, o principal desafio está relacionado ao uso da terapia hormonal (estrogênios e antiandrógenos).
Esses medicamentos, embora essenciais para a transição, frequentemente reduzem ou interrompem a produção de espermatozoides (azoospermia).
O cenário ideal é realizar a coleta e congelamento de sêmen antes de iniciar a terapia hormonal.
Caso já esteja em uso de hormônios, pode ser necessário interromper a medicação por alguns meses para que a produção seja retomada.
Além da coleta convencional por masturbação, em casos específicos podem ser avaliadas punções testiculares (TESA), priorizando sempre métodos de baixo risco e menor dano tecidual.
Transição de Mulher Cis para Homem Trans
Para homens trans, a transição geralmente envolve o uso de testosterona, que interrompe a ovulação e causa ausência de menstruação (amenorreia).
Congelamento de Óvulos
O procedimento consiste na estimulação ovariana seguida da punção folicular.
O ideal é realizar o congelamento antes de iniciar a testosterona.
Caso já esteja em uso, será necessário suspender temporariamente a testosterona para que os ovários voltem a responder aos estímulos hormonais da FIV.
Na SEMEAR fertilidade 💛, buscamos protocolos amigáveis:
O crescimento dos folículos é monitorado por ultrassom.
A punção é rápida, realizada sob sedação, com o objetivo de captar o maior número possível de óvulos maduros para congelamento.
Formação da Família e Reprodução Assistida
Uma dúvida comum é como os gametas preservados serão utilizados no futuro. As possibilidades variam conforme a configuração familiar:
Se houver parceiro(a) com útero e/ou gametas complementares, podem ser utilizadas técnicas como inseminação artificial ou FIV com ICSI.
Quando não há uma mulher com útero na família:
Uso de útero de substituição: para mulheres trans que desejam utilizar seus espermatozoides, será necessária a doação de óvulos e um útero de substituição (conforme normas éticas do CFM).
Gestação pelo homem trans: muitos homens trans optam por gestar seus próprios filhos biológicos, suspendendo a testosterona durante toda a gravidez.

Aspectos Éticos e a Visão SEMEAR
Seguindo os valores de Medicina Baseada em Evidências e Respeito à Sociedade, reforçamos que:
Decisões sobre remoção de gônadas (orquiectomia ou ooforectomia) são definitivas. A preservação deve ocorrer antes dessas cirurgias.
O tratamento deve ser fluido, focado na ciência e no bem-estar da pessoa.
O acompanhamento multidisciplinar é encorajado, pois a pausa na hormonização pode impactar a saúde emocional.
Em resumo
A transição de gênero é uma jornada de afirmação, e a preservação da fertilidade é uma ferramenta de autonomia. Se você está planejando sua transição ou já a iniciou e deseja entender suas opções, o caminho mais seguro é a informação clara e o diálogo com especialistas que valorizam a diversidade e a ética médica.











Comentários