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Método ROPA: duas mães, duas formas de construir o vínculo

Foto do escritor: SEMEAR fertilidade
SEMEAR fertilidade
há 11 minutos
3 min de leitura

No Método ROPA (Recepção de Óvulos da Parceira), também conhecido como maternidade compartilhada, duas mulheres participam ativamente da construção biológica e do nascimento do filho: uma fornece os óvulos (a mãe genética), enquanto a outra recebe os embriões e vivencia a gravidez no próprio ventre (a mãe que gesta).


Essa técnica de Fertilização in Vitro (FIV) representa um marco de inclusão e afeto, viabilizando que ambas façam parte fisicamente da chegada do bebê. Contudo, assim como em qualquer jornada de parentalidade, a experiência também pode despertar questionamentos íntimos, dúvidas e inseguranças legítimas.


Duas mulheres abraçam um bebê no sofá, em ambiente aconchegante e rosa, com clima carinhoso e sereno.


As diferentes vivências da gestação no Método ROPA


A mulher que passa pela gravidez estabelece uma relação sensorial e somática direta com o bebê ao longo das semanas. Ela percebe as alterações físicas cotidianas, sente os primeiros chutes, acompanha o desenvolvimento da barriga e experimenta uma simbiose fisiológica que a outra mãe não vivencia pelo próprio corpo.


É nesse cenário que a mãe genética pode ser surpreendida por sentimentos desconfortáveis:


  • “Será que vou conseguir me sentir tão conectada com o bebê quanto ela?”

  • “Será que o nosso filho vai demonstrar preferência pela mãe que o carregou no ventre?”

  • “Qual é o meu verdadeiro papel durante esses nove meses?”


Essas inquietações não representam falta de afeto ou imaturidade. Elas são absolutamente naturais e merecem ser acolhidas com respeito e diálogo, e jamais reprimidas.


Vínculo afetivo não é competição


O ponto de equilíbrio mais valioso dentro do Método ROPA reside em compreender um princípio fundamental: vínculo não se mede por competição.

A maternidade das duas não precisa ter a mesma roupagem para ser dotada de igual profundidade e legitimidade:


  • A presença da mãe que gesta: Constrói sua conexão ancorada no corpo, nas sensações físicas da gravidez e na nutrição uterina.

  • A presença da mãe genética: Estabelece seu vínculo pela presença ativa, pelo acompanhamento de cada ultrassom, pelas conversas e toques na barriga, pela idealização do espaço do bebê, pela organização dos detalhes da chegada e pelo cuidado atento à parceira que gesta.


Participar da gestação não exige fazer as mesmas coisas, mas sim compartilhar a intenção e a dedicação ao mesmo projeto familiar.


O diálogo como proteção contra a comparação


O vínculo com um filho não se restringe aos nove meses de gravidez; a gestação é apenas o capítulo inicial de uma vida inteira que será tecida dia após dia. A segurança emocional da criança é alimentada nas rotinas de carinho, nas noites acordadas, no acolhimento do choro, nos limites ensinados e na convivência contínua ao longo dos anos.


Para evitar que inseguranças silenciosas evoluam para ressentimentos ou comparações desnecessárias, é essencial manter a conversa sempre aberta entre o casal:


  • Expressem seus sentimentos e vulnerabilidades com clareza;

  • Planejem como desejam dividir as tarefas e os momentos afetivos com o bebê;

  • Lembrem-se de que a criança não precisa escolher uma forma de afeto sobre a outra: ela terá a oportunidade singular de crescer cercada por duas mães inteiramente presentes.


No Método ROPA, cada mãe traz uma vivência singular e insubstituível. Há espaço pleno para duas formas autênticas de vínculo dentro da mesma família, e o amor materno jamais se define apenas pela forma como ele começou no ventre.


Duas mulheres sorridentes encostam as testas, abraçadas, em casa, com clima afetuoso e fundo desfocado.

Resumo

O Método ROPA permite a maternidade compartilhada entre duas mulheres, despertando vivências emocionais distintas para quem fornece os óvulos e para quem gesta. Compreender que o vínculo afetivo não é uma competição e cultivar o diálogo constante são medidas essenciais para construir uma parentalidade conjunta, segura e repleta de afeto.


Na SEMEAR fertilidade, cada decisão é guiada pela ciência e pelo cuidado individualizado, priorizando sempre a tranquilidade da paciente.


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