Mulheres Diagnosticadas com Hidrossalpinge Bilateral Podem Realizar a Fertilização in Vitro (FIV)?
- SEMEAR fertilidade

- 14 de jul.
- 2 min de leitura
Atualizado: há 2 dias
O diagnóstico de hidrossalpinge bilateral — uma condição em que ambas as trompas de Falópio encontram-se obstruídas e dilatadas pelo acúmulo de líquido inflamatório — costuma gerar muitas dúvidas e inseguranças nas mulheres que desejam engravidar. Como as trompas estão comprometidas, a gestação natural torna-se inviável, fazendo com que a Fertilização in Vitro (FIV) seja o caminho mais indicado.
No entanto, uma dúvida crucial surge no consultório: a presença desse líquido e a dilatação das trompas podem interferir no sucesso do tratamento laboratorial? Mulheres com esse quadro podem realizar a FIV com segurança?
A medicina reprodutiva esclarece que o tratamento é perfeitamente possível, mas exige uma estratégia cirúrgica prévia para proteger o futuro embrião.

O Impacto da Hidrossalpinge Bilateral na Formação dos Embriões
Para tranquilizar as pacientes, o primeiro ponto que a ciência destaca é que a presença de trompas dilatadas normalmente não atrapalha a formação de embriões.
Como as etapas iniciais da FIV envolvem a estimulação dos ovários e a coleta dos óvulos diretamente dos folículos (sem passar pelas trompas), a aspiração e a fertilização no laboratório podem ser realizadas com total sucesso. O material genético do casal permanece resguardado e os embriões podem se desenvolver perfeitamente sob os cuidados da equipe de embriologia.
O Desafio na Hora da Transferência para o Útero
O verdadeiro problema da hidrossalpinge não está na criação do embrião, mas sim no momento de devolvê-lo ao útero. O líquido acumulado dentro das trompas não é inofensivo; ele é inflamatório e tóxico.
Durante o ciclo, esse líquido pode escorrer de volta para o interior da cavidade uterina, gerando dois impactos graves no tratamento:
Redução nas chances de sucesso: A presença desse fluido inflamatório reduz aproximadamente pela metade a chance de o embrião conseguir se implantar no endométrio.
Aumento dos riscos: O ambiente hostil gerado pelo líquido praticamente dobra o risco de perda gestacional (aborto) caso a implantação ocorra.
A Estratégia Segura: Tratamento Cirúrgico Prévio
Para contornar esse obstáculo e garantir a segurança do tratamento, a conduta recomendada pela medicina reprodutiva é o tratamento cirúrgico prévio.
Geralmente, realiza-se a coleta e o congelamento dos embriões primeiro. Em seguida, antes de realizar a transferência embrionária para o útero, a paciente passa por um procedimento cirúrgico (frequentemente por videolaparoscopia) para retirar as trompas afetadas (salpingectomia) ou isolá-las do útero.
Essa intervenção simples elimina a fonte do líquido tóxico, limpando o ambiente uterino e restabelecendo as chances reais de sucesso da FIV, permitindo que a paciente siga para a transferência com a máxima segurança biológica.

Em resumo
Geralmente sim, mulheres diagnosticadas com hidrossalpinge bilateral podem realizar a Fertilização in Vitro (FIV). No entanto, como a presença de trompas dilatadas reduz pela metade a chance de gravidez e dobra o risco de perda gestacional devido ao líquido inflamatório, recomenda-se o tratamento cirúrgico prévio para retirar ou isolar as trompas antes de colocar os embriões no útero, conduzindo o ciclo de forma ética, segura e transparente.
Na SEMEAR fertilidade, cada decisão é guiada pela ciência e pelo cuidado individualizado, priorizando sempre a tranquilidade da paciente.








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