Transferência de blastocisto: vantagem ou risco?

   Desde a época do primeiro bebê de proveta, no final da década de 70, os médicos conseguem cultivar embriões humanos dentro do laboratório até o estágio de blastocisto, o que ocorre entre o quinto e sétimo dia após a fertilização. Constantes melhorias e novas tecnologias incorporadas no laboratório de reprodução levaram médicos e cientistas a acreditarem que o cultivo estendido do embrião pudesse resultar em maiores chances de gravidez.

    Como justificativa para a transferência de blastocisto, muitos argumentos já foram utilizados, os quais vêm sido enfraquecidos por novas evidências. Em geral essa prática é justificada pelo fato de haver uma seleção que leva à morte dos piores embriões durante o cultivo extra, de forma que apenas os embriões com maior potencial de implantação permaneceriam vivos até o estágio de blastocisto. Apesar de potencialmente aumentar a chance de gravidez por transferência, a evidência que isto ocorra é ruim, e estudos recentes vêm mostrando que é improvável que haja benefício considerando a transferência de todos os embriões formados a partir de uma captação de óvulos (considerando todos os embriões formados, transferidos frescos e congelados), na verdade podendo até ser um pouco pior.

 

Além de não aumentar a chance de gravidez por captação de óvulos, a transferência de blastocisto ainda pode ter um impacto negativo sobre o resultado do parto. Uma revisão recentemente publicada, avaliando todas as publicações médicas relevantes, mostrou que a transferência de blastocisto aumenta o risco de prematuridade e de morte perinatal. Este efeito negativo pode ser justificado pela maior exposição do embrião a um ambiente artificial.

 

   Considerando a evidência atual, acredita-se que ambas as abordagens sejam adequadas, e que as pessoas devam considerar custos e riscos na hora da decisão.

Referências:

- Martins WP, Nastri CO, Rienzi L, van der Poel SZ, Gracia CR, Racowsky C. Obstetrical and perinatal outcomes following blastocyst transfer compared to cleavage transfer: a systematic review and meta-analysis. Hum Reprod. 2016 Nov;31(11):2561-2569.

- Martins WP, Nastri CO, Rienzi L, van der Poel SZ, Gracia C, Racowsky C. Blastocyst versus cleavage stage embryo transfer: a systematic review and meta-analysis of the reproductive outcomes. Ultrasound Obstet Gynecol. 2016 Oct 12.

- De Vos A et al. Cumulative live birth rates after fresh and vitrified cleavage-stage versus blastocyst-stage embryo transfer in the first treatment cycle. Hum Reprod. 2016 Nov;31(11):2442-2449.

 

 

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